
... E ele tocou-a. Beijou-a como se ela fosse tudo o que lhe pertencia, como se se fosse entregar para sempre. Prendeu-a nos seus braços onde ninguém se tinha perdido antes. Fechou-lhe os olhos com as suas mãos suaves e tocando-lhe no rosto susurrou ao seu ouvido 'Amo-te...'
O seu peito ardeu de paixão, de desejo. Não entendia o que ali se passava mas sabia que os sentimentos a envolviam num ciclo do qual parecia não conseguir (nem querer) sair. O tempo estava parado, a sua respiração também. Sentiu o bafo ofegante do seu amor tocar-lhe no pescoço, levemente. Deixaram-se envolver pela noite, pela brisa, pelo som do mar nas rochas. E de repente, deixou de haver noite e brisa e ondas do mar. Ele escorregava-lhe entre os dedos, fugia-lhe do corpo, para não mais voltar.
E acordou. Foi isso, acordou.
Mas esperou-o. Esperou-o na brisa, no mar, no tempo. Espeou-o para si, esperou-o em si. Mas ele não veio. Ficou lá, naquela escuridão.
E o peito que tinha ardido de desejo e paixão, derreteu agora e ficou água. Água... líquida, salgada, e fria...
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