Há dias li Loucura de Mário de Sá Carneiro e fiquei absolutamente envolvida. Pessoalmente não se adequa a mim dado que não me revejo na história. Contudo, foi dos livros que mais me entusiasmou até à data. Como o título indica trata de loucura, de um homem, na realidade. Um homem que podia ser qualquer um de nós mas apenas pensava ligeiramente diferente. O seu defeito, que o levava à loucura, era não estar satisfeito com o que esta simples vida pode dar. Não se contentava com a monotonia de um lar e achava que teria de provar o seu amor pela mulher da sua vida deformando-a e mostrando que ainda assim a continuaria a amar eternamente. 'Sim talvez seja um exagero', pensei. Porém a mensagem que acabei por captar talvez não tenha sido tão exagerada. Com o tempo aquilo que passamos vai tornando-se rotineiro e monótono. E quem acaba por ter inteiramente culpa no assunto somos nós próprios. Segurança faz todo o sentido mas, por vezes, cai tudo em tédio. E depois as mudanças bruscas parecem-nos assustadoras quando no fundo, se nos tivéssemos preparado melhor, talvez não sentíssemos tanto medo. Ninguém necessita de esfaquear a mulher para cometer uma ligeira loucura. Contentarmo-nos com o mínimo e essencial parece suficiente mas há-de chegar uma altura em que deixará de o ser. Surpreender quem nos faz feliz, correr atrás dos sonhos, lutarmos por algo que mesmo que não seja crucial nos corroa a mente faz com que possamos ser considerados loucos. E que importa? Como já disse noutra altura pensar diferente não tem de nos fazer loucos. E quem ler este texto e pensar 'Esta miúda é louca, aqui a defender o outro que deformou a mulher', obrigada, pois mesmo que não tenha entendido nada do que escrevi já me acha louca, suficientemente diferente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário